Empreendedorismo

Oportunidade de mercado: 3 negócios que souberam explorar bem essa vertente

2/12/2016 • por meuSucesso .com

Compreender demandas, hábitos, expectativas, sentimentos é fundamental

Empreender é, antes de tudo, entender o que o mercado quer. E o que é o mercado, afinal, senão as pessoas? Compreender demandas, hábitos, expectativas, sentimentos é fundamental. Mas, mais que isso, é preciso ter sensibilidade para perceber oportunidades que, muitas vezes, não estão visíveis a olho nu. Necessidades de consumidores que, em diversos casos, nem mesmo eles percebem.  E também ocupar espaços não preenchidos pelos players atuais.

Por que não vender chocolates finos a preços mais acessíveis? E se você resolver engajar sua marca de luxo em causas populares? Prever uma onda que ainda está por vir, então, pode colocar qualquer negócio em uma posição muito favorável. Infelizmente, porém, são poucos os negócios que conseguem ter essa visão. Alguns que tiveram se deram bem e são exemplos que fazemos questão de citar aqui:

Cacau Show: encontrando o oceano azul e sabendo segmentar o público

Um negócio que começou inspirado na mãe do fundador, que trabalhava com vendas diretas de uma marca de utensílios domésticos, acabou se transformando em uma das marcas mais amadas do país. A proposta de Alexandre Costa foi ousada: vender chocolates finos a preços mais acessíveis. Há alguns anos, podia parecer loucura. Mas hoje ninguém pode dizer que foi uma escolha errada. A empresa tem um faturamento anual superior a R$ 100 milhões e está presente em mais de 1 mil municípios.

A inquietude é um traço característico da personalidade de Alexandre que se evidencia e está presente na estratégia da Cacau Show. Essa inquietude, aliada à visão de Alexandre, contribuiu para que o empreendedor construísse uma perspectiva de mercado que foi decisiva para a evolução do negócio.

Em busca do Oceano Azul

Ao avaliar os principais vetores estratégicos do negócio e do setor em que estava inserido, Alexandre observou que o segmento estava organizado em dois grupos estratégicos:

  • Um grupo era representado pelos fabricantes de chocolate que atuam de forma massiva, produzindo e distribuindo produtos padronizados em grande escala. Fazem parte desse grupo as principais empresas alimentícias do mundo.
  • Outro grupo era composto pelas empresas que produziam e comercializavam produtos premium com qualidade e preço superiores. Alexandre comenta que o quilo de chocolate, comercializado por essas empresas, chegava a custar o valor de um salário mínimo da época.

O empreendedor avaliou que havia um mercado inexplorado para a organização que conseguisse produzir e comercializar um produto com qualidade satisfatória a um preço acessível. Dessa forma, seria possível enfrentar a alta concorrência composta por esses dois grupos estratégicos, mencionados acima, abrindo uma nova perspectiva para conseguir fugir do Oceano Vermelho – expressão que se refere ao mercado saturado em que os negócios competem, por meio de ações semelhantes, em um “mar sangrento onde há pouco espaço e falta comida para todos os peixes”.

Sob a ótica do consumidor, Alexandre entendeu que existia uma demanda importante de pessoas que almejam consumir chocolate de qualidade por um preço acessível. Essa visão foi decisiva e influenciou toda estratégia do negócio que se orientou a um posicionamento baseado na entrega de um produto bom a um custo baixo. Esse foi o Oceano Azul da Cacau Show, que soube utilizar-se da segmentação para encontrar um “mar pouco explorado em que há mais espaço e a concorrência por comida é menor”.

Essa escolha estratégica foi uma das responsáveis pelo crescimento do negócio que, aliado à decisão de implantar o modelo de franquias, permitiu à organização atingir o patamar atual, com mais de duas mil unidades pelo Brasil, sendo a maior vendedora de chocolates finos do mundo. Para evidenciar e a estratégia do oceano azul, preparamos um infográfico que desvenda e conta como fugir da concrrência.

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Reserva: contrução de narrativas fortes para a marca e posicionamento diferenciado

A marca de roupas criada pelo jovem Rony Meisler poderia ser só mais uma grife de luxo como tantas outras. Mas a empresa resolveu que poderia ser mais. E tem sido. Não só apoiadora, mas também realizadora de diversas iniciativas sociais, acabou se posicionando como uma marca engajada, que além de buscar o lucro também se preocupa com a realidade social do país em que atua.

A marca brasileira de roupas soube se destacar perante as demais com uma proposta de valor que consegue competir com grandes marcas, inclusive internacionais, tornando-se referência entre jovens e sonho de consumo de muita gente. Nossa equipe preparou um vídeo intitulado de "O Dia D do empreendedor" que explica como definir o modelo de negócio da sua empresa e fazer da sua ideia uma realidade.

Um dos diferenciais mais representativos de Rony Meisler é sua capacidade de construir narrativas poderosas para sua marca. O rápido crescimento do reconhecimento de sua marca com baixo investimento em publicidade massiva comprova essa visão.

O empreendedor define que sua estratégia de comunicação tem como base a verdade e que os produtos da marca, na realidade, sustentam a experiência que almeja proporcionar a seus clientes e não vice-versa. Assim, evidencia-se sua visão do produto como mídia que tem como um de seus principais objetivos, além da qualidade de suas características funcionais, evidenciar os propósitos e visão da marca.

Essa estratégia se sustenta em uma das visões preferidas de Rony que comenta que a Reserva tem um portfólio de “roupas de verdade para pessoas de verdade”.

Um dos desafios dessa orientação – da comunicação baseada na verdade – diz respeito aos limites dessa estratégia. Em que medida as ações baseadas em fatos reais, utilizadas na narrativa da marca, não podem ser encaradas como oportunistas e não legítimas? Rony afirma que o limite é sempre o propósito. Se a ação está alinhada com o propósito da companhia é preciso seguir adiante. O empreendedor cita a metáfora que o propósito é uma placa na bifurcação. É ele quem define o caminho que a empresa, representada pela atitude de todos seus colaboradores, deve seguir.

Suas campanhas publicitárias seguem essa mesma orientação. A Reserva não desenvolve campanhas de produtos e sim temas de valor para a sociedade atual. Rony comenta que “a campanha representa uma vontade do mundo”. Por esse motivo seus personagens, ao invés de serem representados por modelos, são, via de regra, representados por pessoas da vida real, representando seus próprios papéis.

Outro desafio importante para levar essa estratégia adiante, diz respeito a como delegar essa mesma visão às lojas multimarcas já que, nesses pontos de venda, o controle sobre a experiência é menor do que nas lojas próprias.

Para atender a esse objetivo foi desenvolvido o Agente Reserva. Trata-se de uma estratégia onde profissionais da Reserva visitam as lojas multimarcas da rede com o objetivo de contribuir com seu conhecimento e experiência. São três as frentes onde os Agentes Reserva atuam:

  1. Consultoria de demanda (avaliação de giro de estoque, produtos mais demandados, etc)
  2. Visual Merchandising (estética da loja, exposição de mercadorias, etc)
  3. Vendas e Atendimento

Com essa estratégia, além de contribuir para que o canal de vendas tenha mais êxito, a Reserva garante que sua mensagem seja levada adequadamente a ponta de todo processo. Muitas vezes, a ação do Agente Reserva acaba levando à conclusão que para aquele canal não é relevante a comercialização de produtos da marca. Essa orientação é essencial para manter a integridade da visão da companhia: valorização da verdade em suas relações.

Samba Tech: negócio inovador e atento às mudanças

Quando foi fundada em 2004, a empresa de Gustavo Caetano tinha um foco: games. Com o passar dos anos, ele percebeu que uma nova onda se aproximava e se antecipou a ela. Assim a plataforma se tornou especialista em serviços de vídeos profissionais e hoje é a principal referência da área no Brasil.

A Samba Tech já foi eleita uma das empresas mais inovadoras do mundo, por diversos meios de comunicação.

Seu fundador, Gustavo Caetano, também já recebeu prêmios e, inclusive, está entre os 10 jovens mais inovadores do mundo, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) - um dos maiores centros de tecnologia e referência quando o assunto é inovação.

Portanto, é importante fazermos a seguinte pergunta: o que Gustavo fez para criar um negócio inovador? Mas, antes de respondermos esse questionamento, é preciso analisar às origens do empreendedor.

Gustavo, desde pequeno, soube se utilizar bem das informações que recebeu ao longo de sua vida para criar o espírito inovador. A influência da história do de seu avô, que construiu um negócio enriquecedor, mas faliu ao não saber olhar as tendências e inovar, transformou-se em inquietude.

Toda trajetória de Gustavo tem presença marcante de seu olhar apurado e atento às mudanças sempre em busca de novas oportunidades. Desde jovem, investiu na busca de conhecimentos distintos e no compartilhamento de informações e relacionamento com outras pessoas.

Uma orientação que Gustavo segue para a aquisição de conhecimento relevante e inovador é navegar em conteúdos desconhecidos buscando novas fontes. O conceito é buscar referências distintas das que ele domina para expandir seu repertório e adquirir novos conhecimentos necessários para novas soluções.

Assim, Gustavo foge da manada e trabalha pela consolidação de seu próprio caminho. Uma frase de Gustavo é bem simbólica nesse sentido: “quero ver as coisas que ninguém está vendo”.

O que Gustavo fez para criar um negócio inovador?

A formação da Samba Tech tem origem clara nessa perspectiva de procurar as mais diversas fontes de informação, sem se esquecer da relevância do conteúdo.

A empresa foi mapeada em um momento que nenhuma outra organização entendeu os movimentos do vídeo e seus impactos para as organizações de conteúdo.

Um outro exemplo de seu espírito curioso é quando ainda existia a Samba Mobile: Gustavo foi realizar um curso de inovação no MIT e conheceu, ocasionalmente no aeroporto, um professor do Instituto que abriu as portas para a sua empresa ser a única startup brasileira a fazer parte de um programa de intercâmbio na prestigiada universidade americana.

Um pré-requisito para desenvolver uma cultura inovadora é a humildade. Para estarmos abertos ao novo, precisamos ser humildes. Aquele que tem convicção, que sabe de tudo, não dá abertura para adquirir outros conhecimentos. Outro pré-requisito é a simplicidade. As soluções mais sofisticadas são as mais simples. Essa simplicidade facilita sua adoção pelo mercado, pois permite uma comunicação mais assertiva. Nesta matéria evidenciamos algumas das estratégias da Samba Tech para se destacar no ambiente digital brasileiro.

E você: conhece mais alguma empresa que é exemplo em aproveitar oportunidades de mercado? Deixe seu comentário.

Conteúdo produzido em parceria com o Administradores.com

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