Empreendedorismo

A minha primeira ideia de um bilhão de dólares

6/01/2015 • por Fernando Aquino (Nandico)

A boa ideia é um ponto de partida

Aos oito anos de idade tive meu primeiro insight supostamente bilionário: retirei dois pedaços de ímã de um auto-falante estragado na oficina do meu pai. Percebi intuitivamente a existência de pólos no campo magnético. Normalmente os ímãs se atraiam fortemente. Contudo quando as peças eram confrontadas na mesma polarização elas se repeliam passando a “levitar” de maneira sustentada por um campo invisível impressionante. Uau! Quem já brincou com ímãs alguma vez conhece o efeito que estou descrevendo.

Pensei que no futuro poderiam ser criados trens ou carros com sistemas de levitação magnética em vez de rodas. O que eu não sabia é que o sistema que criei em 1989 já tinha sido patenteado em 1905 e hoje é conhecido pelo acrônimo de “maglev”: tecnologia usada em trens de alta velocidade no Japão. O magnetismo levanta o trem do trilho e realiza a propulsão do conjunto inteiro operando de maneira relativamente próxima ao modelo que eu tinha idealizado. Eu poderia ter ficado rico nesse episódio. #SóQueNão né? Descontando poeticamente os problemas de espaço-tempo, a "minha" ideia recebeu milhões em investimento e eu não vi nenhum centavo. \o/

Imagina se com o meu coração de criança eu descobrisse que a “ideia da minha vida” até o momento já tinha sido executada por outra pessoa? Encontro, frequentemente, gente na vida adulta que chora pelo sucesso alheio reclamando que sua ideia foi “roubada”. Enquanto gastam o tempo amargurando uma possibilidade no passado acabam fechando a mente para o surgimento do novo no futuro. Esquecem do mérito das pessoas que colocaram conhecimento, suor e outros recursos imprescindíveis em qualquer iniciativa honesta de sucesso.

A discussão sobre “valor” é um tema essencial na cultura Geração de Valor. Ideias por si só não valem nada a princípio. Elas morrem na cabeça, no papel, no powerpoint e em execuções ruins. O valor que nossa geração procura tem muito mais a ver com adquirirmos a capacidade de boa execução de um negócio do que com cultuar boas ideias por si. É por isso que a gente se junta aqui e nos eventos para se preparar, se ajudar e fazer junto.

A boa ideia é um ponto de partida: se você teve, não fez mais do que a sua obrigação como empreendedor. O que precisamos é de preparo e perseverança para executar direitinho, como também flexibilidade para desapegar das ideias mantendo o foco em uma boa essência. Tem um ditado que diz que não existe nada realmente novo debaixo do sol. É importante sabermos que o que fará a diferença real do que seremos amanhã é a forma que estamos materializando a nossa criação de hoje. O resto é papo de boiada. 

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Quem escreve

Fernando Aquino (Nandico)

CEO em Mova Mais (+), Brasília, Brazil

Co-fundador e CEO do mova mais. Criativo de tecnologia, programador e empreendedor há 17 anos. Hoje trabalha focado em pesquisa e desenvolvimento de produtos associados a tecnologias de saúde, fitness e computação para vestir.