Marketing

Marketing pessoal: abordagem reflexiva sobre um momento de crise

8/03/2016 • por Ricardo Farah

O que rede de relacionamentos e posicionamento pessoal têm a ver com crise? O nosso colunista explica!

Você perdeu o emprego? E agora está pensando no que fazer? A preocupação em “arrumar” outro emprego é natural. Afinal as contas a pagar estão aí e a briga pela sobrevivência também.

Você, com certeza, já ouviu falar que o sinônimo de crise é oportunidade, não é mesmo?

Então que tal aproveitar a crise para olhar um pouco para você também?

Em outros termos, pegar a trilha em busca de você mesmo!

Creio que as primeiras reflexões devem estar ligadas a como está sua rede de relacionamentos e seu marketing pessoal.

Assim, a primeira coisa que nos ocorre é a de que é difícil mudar quando se vem fazendo a mesma coisa, do mesmo modo a vida toda, não?

Pois bem, passou a “ressaca” da notícia da perda do emprego e a vida tem que continuar.

Arregace as mangas e vá à luta!

Vamos falar primeiro de Marketing Pessoal e depois de Rede de Relacionamentos.

Neste momento é mais importante você valorizar o ser do que o ter, já que o ser está ligado a qualidades pessoais e profissionais que, nesta hora de transição, podem e devem ser aproveitadas por você, já que se trata de méritos conquistados honestamente.

Pense: o que é seu marketing pessoal, senão o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, desenvolvidas e praticadas por você para manter sua competitividade e empregabilidade ao longo da vida.

Com certeza você já ouviu falar dos 4 P´s de marketing: Produto, Preço, Comunicação e Distribuição.

Pense agora em você como um produto. Qual seu diferencial competitivo? Você tem de achar em seu interior qualidades que você não sabia que possuía.

Lembro-me de uma frase de Zulma Reyo que dizia: “as pessoas suspiram por autoridade mesmo quando lutam contra ela. Adoram que se lhes diga o que está acontecendo e o que fazer, ao invés de por si mesmas, sentir e tentar arriscar um passo original”.

Chegou a hora de você arriscar um passo original!

Faça um inventário de suas competências. Em que você é bom? Reconhecem você sendo bom naquelas competências em que você se reconhece? Da mesma forma que um produto você tem um atributo pelo qual você é reconhecido e diferenciado dos outros. Qual é este atributo? Maestria no que faz, capacidade de comunicar-se clara e assertivamente, liderança, relacionamento interpessoal e trabalho em equipe, agregar valor a tudo que você faz? Pense...

Qual seu nível de autoconhecimento? Você seria capaz de vender um produto que você não conhece profundamente? O quanto você conhece de você mesmo? Hoje as pessoas são reconhecidas, avaliadas e remuneradas pelo seu conjunto de competências. Este é o seu preço enquanto produto: o seu valor percebido pelo mercado.

Muito bem, você fez seu inventário de competências. E agora, o que fazer? Bem, eu lhe pergunto como anda sua capacidade de sonhar? 

George Bernard Shaw, escritor, tem uma frase que define muito bem o ato de sonhar: “Você vê as coisas como elas são e você pergunta: Por quê? Mas eu sonho coisas que nunca foram e eu pergunto: Por que não?”

Sonhar é preciso. Quem não sonha não projeta. Quem não projeta não possui um plano de carreira ou mesmo de vida. Os sonhos dão asas ás suas metas!

Por que não tentar algo diferente? Talvez tornar-se empresário de seu próprio talento, talvez ir em busca de outro tipo de trabalho que seja mais significativo para você, talvez associar-se com um outro colega em um área em que vocês detenham maestria e conhecimento e prestar serviços a outros, as possibilidades são muitas!

Você, agora, já sabe de suas competências e tem sonhos. Chegou a hora de falar dos outros dois P´s: comunicação e distribuição. Como você se comunica com os outros e qual seu grau de acessibilidade e exposição? Neste momento sua Rede de Relacionamentos é fundamental para abrir-lhe novas possibilidades. Muito provavelmente seu emprego anterior tenha vindo pela indicação de alguém, não?

Lembra-se do livro “O Pequeno Príncipe”? Seu autor, Antoine de Saint-Exúpery dizia que: “O essencial é invisível aos olhos” e que: “Serás eternamente responsável por tudo aquilo que conseguires cativar”.

Pense: ao longo de sua vida quantos relacionamentos você construiu dentro e fora de seu ambiente de trabalho? Quantos amigos você fez e cativou? É hora de ir à busca deles. Faça uma lista destas pessoas.

Quais seus contatos pessoais: amigos, parentes, colegas, mentores.

Quais seus contatos sociais: clubes, associações, academias.

Quais seus contatos profissionais: parceiros, fornecedores, clientes, concorrentes, antigos colegas de trabalho, superiores, subordinados.

Fez a lista?  Não tenha vergonha de pedir-lhes ajuda. Alguém de sua rede de relacionamentos conhece alguém que precisará de alguém como você!

Seja sincero e honesto e certifique-se de quê suas palavras e ações causem um impacto positivo.

E, um lembrete final: auto-estima e auto-conceito não se compram em farmácia. Você tem de tê-los dentro de você. Arregace as mangas e vá à luta!

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Quem escreve

Ricardo Farah

Sócio-Diretor em R.Farah Consultores - Coaching

Com cerca de trinta anos de experiência em consultoria e planejamento, desenvolvimento e condução de treinamentos, Ricardo Farah é diretor da R. Farah Consultores e presta coach, consultoria e treinamento à empresas. Além disso, é professor sênior da ESPM, UFRJ, IBMEC, entre outras instituições.