Inovação e Tecnologia

Como entender o Lean Start-Up na história do Gustavo Caetano -por Luciana Kimi

15/03/2016 • por Luciana Kimi

A nossa colunista e especialista em inovação, Luciana Kimi, explica como funciona a teoria da startup enxuta e como ir da ideia ao protótipo

Este mês fui convidada para escrever sobre Gustavo Caetano, confesso que conhecia pouco da história de vida deste mineirinho. Foi uma grata surpresa, ao estudar todo o material, e sentir a similaridade com a metodologia Lean Startup mesmo que ele a tenha aplicado de forma empírica no início da sua vida empreendedora.

UM POUCO DE HISTÓRIA...

Mas antes de fazer a analogia com o Estudo de Caso, quero rememorar o conceito Lean, que quer dizer enxuto, isto é, fazer ou desenvolver algo sem desperdícios de tempo, dinheiro e pessoas.

A origem do conceito é de muito antes do Eric Reis escrever o livro que leva o mesmo título, aqui no Brasil o nome é “A Startup Enxuta”. O conceito surgiu na década de 50, em um Japão devastado pela Segunda Guerra Mundial.

Naquele momento, a Toyota (desenvolvedora da filosofia Lean) passou por uma grande reflexão: como poderiam concorrer com os americanos detentores da tecnologia de produção em alta escala (Henry Ford) e sem dinheiro suficiente para montar algo similar nas pequenas terras do sol nascente?

Bom, contar tudo dá um livro e há vários disponíveis, mas resumindo, o pensamento foi: e se invertêssemos a ordem das coisas? E se produzíssemos sob demanda? E se pensássemos no problema e não no produto (no caso da Toyota, o carro)?

A partir daí, como todos sabem, a Toyota fez história. Tornou-se no século passado a maior fabricante de carros do mundo e referência, para os que vieram depois, em tecnologia e sistema de produção.

Mas a filosofia que gerou este pensamento cresceu e se espalhou pelo mundo. Invadiu as áreas administrativa, de serviços e finalmente chegou ao desenvolvimento de software (já ouviu falar do SCRUM?).

Quando boas pessoas se juntam para pensar em algo grandioso, normalmente ela acontece, então no Vale do Silício a pergunta mudou… E se levássemos este mesmo conceito para a criação de novos negócios?

Desde então toda a lógica de elaboração dos famosos Planos de Negócio se inverteu, tempos complicados para criação de calhamaços, que representavam o que seria a próxima empresa foram substituídos por hipóteses, investigação do cliente e teste de protótipo. Foi lá na região da ponte Golden Gate, que os investidores começaram a perceber que mais valia um protótipo validado do que um plano bonito que não tinha saído do papel.

O que isto tem a haver com o Gustavo? Tudo uai!

Começa que ele é curioso, observador e tem paixão pelo que faz. Mas como diz Murilo Gun, nesta engrenagem há de ser somado o desenvolvimento da criatividade. Treinar o olhar sobre o problema de uma nova perspectiva, sob um novo ângulo.

Assim você poderá desenvolver as percepções do que poderá ser a “nova onda”, isto é, para onde pessoas + tecnologia + comportamento + economia podem se direcionar.

A questão é que não há uma única onda… são várias! E para cada uma delas há muitas oportunidades, ou seja, problemas não resolvidos!

Vamos colocar em prática?

HIPÓTESE

Desenvolver hipóteses não é a mesma coisa que ter um achismo qualquer. Uma boa hipótese surge a partir do seu conhecimento somado ao de outros - por isso que pessoas inovadoras compartilham muito suas ideias - mas sem a certeza da conclusão ser uma verdade absoluta, por isso a validação em campo com os clientes é importante.

Neste momento indico a leitura do “Oceano Azul” ele tem muito a ver com a história do Gustavo, principalmente quando observamos uma oportunidade e avaliamos o setor não o cliente.

No Estudo de Caso, ele cita o insight que teve enquanto observava o Youtube pela primeira vez - e a pergunta que veio à sua mente foi: “Quem tem necessidades similares aos usuários do Youtube, mas não quer utilizar uma plataforma aberta de vídeos?"

Este tipo de enfoque pode ser uma forma de iniciar o ensaio de hipóteses.

VALIDAÇÃO DA HIPÓTESE

O próximo passo é: valide a hipótese gerada em campo. Temos a tendência de a partir deste momento já criarmos um produto/solução! Não faça isso!

Segure a ansiedade e valide a ideia primeiro! É o momento de checarmos o tamanho de mercado, se problema existe mesmo ou se já foi resolvido e qual a necessidade real do cliente.

É importante salientar que dependendo de como você faz a pergunta, a resposta pode te decepcionar, isto porque o entrevistado não teve o mesmo insight e não enxerga o problema da mesma forma.

Então a melhor forma de validar uma hipótese é fazer perguntas investigativas de como o cliente ou potencial cliente resolve aquilo que você imagina ser um problema.

Dicas:

- Investigue! Faça perguntas sobre o problema: como resolve e quais situações de risco enfrenta;

- Evite neste momento sair apresentando uma possível solução, escute mais, fale menos!

- Anote todas as informações;

- Compartilhe com a equipe;

- Se possível, vá a campo com a equipe, os melhores insights vem deles!

- Defina a duração para esta primeira rodada de validações.

CONSTRUÇÃO DE PROTÓTIPO

E por último, construa um protótipo da solução que você imaginou. Protótipo é algo simples, barato, onde é possível o cliente entender os conceitos ou a própria solução apresentada.

Quer um exemplo? Se você desenvolve software, pode ser a navegação das telas (sem o software funcionando), o cliente entende o que ele vê. Neste momento estamos lidando com as sensações: se gosta ou não da navegação apresentada, se é simples e fácil de entender, como que a solução atende sua necessidade.

Se for um serviço, pode ser um test-drive (teste por tempo determinado), tais como o Conta Azul oferece. Ao invés de gastar horas explicando para o cliente como o seu serviço é maravilhoso, faça-o experimentar por um período limitado. Colha as experiências e melhore o serviço a partir delas.

Dicas:

- Escolha um grupo pequeno para o primeiro teste;

- Anote as reações do cliente e suas sugestões;

- Entenda que neste momento você pode validar o modelo de negócio, então é fundamental testar o próprio processo de vendas, já que isso será a força motriz do seu negócio;

- Compartilhe os insights com a equipe;

- Melhore o produto/ serviço a partir dos insights;

- Com o produto/serviço melhorado amplie o grupo de teste;

- Colha os insights, faça as melhorias e teste novamente;

Por isso na área de inovação, falamos que o produto/serviço está sempre em Beta, isto quer dizer que está sempre evoluindo de acordo com as novas necessidades ou problemas apresentados pelos usuários.

Espero tê-los ajudado nesta empreitada! Boa sorte!

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Quem escreve

Luciana Kimi

founder em THEMPERO - cocriação, arte e inovação

É especialista em Gestão Colaborativa, Design de processos e negócios. Entende que a vida é uma prática de constante transformação, por isso mantém o ayurveda como filosofia e a paixão pela dança e pela arte como fontes de inspiração. É mãe de uma menina linda, atualmente seu maior tesouro

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