Entenda tudo sobre a metodologia Lean Startup, ou Startup Enxuta, e como ela pode ser útil para o seu negócio por meio do método focado em evitar desperdício de tempo e recursos.


Volta e meia um novo conceito surge na área de Administração e negócios. Um deles – e que aparentemente veio para ficar – é o lean startup. O termo pode ser traduzido como "startup enxuta" e a ideia central dessa nova metodologia é baseada em evitar desperdício de tempo e recursos em um produto ou serviço obtendo, ainda assim, mais qualidade em seu processo final.

Nessa metodologia, a empresa vai ao mercado pedir a opinião de potenciais consumidores ou clientes sobre todos os elementos do modelo de negócios, incluindo características do produto, preços, canais de distribuição e estratégias econômicas. O novo empreendimento cria com rapidez um produto mínimo viável e busca a opinião do cliente o mais rápido possível. Com base nas respostas obtidas, busca novas versões e faz ajustes até encontrar o produto ideal.

De acordo com Gustavo Goldschmidt, co-fundador e CEO da 3BR Tech, “a Administração tradicional sempre nos orienta a usar dados históricos das nossas empresas ou, então, números de mercado para tomarmos nossas decisões no mundo corporativo. No entanto, quando falamos de uma empresa que está inovando, introduzindo uma nova solução e criando um novo mercado, esses dados simplesmente não existem”.

Para Gustavo, uma das formas do empreendedor superar essa barreira inicial  é construir uma base de informações o mais rápido que puder, para minimizar, o quanto antes, possíveis erros. “Por isso, movimentos como o Lean Startup, que pregam colocar o produto mais rápido no mercado e, a partir daí, mensurar indicadores e colher feedbacks, estão sendo amplamente adotados”, indica.

De acordo com o publicitário Paulo Peres, muitos negócios demoraram tanto para serem lançados esperando a “perfeição” que, quando o produto chega ao mercado, não atendem as necessidades reais do consumidor. A questão dessa metodologia é “levar em conta que o acionista terá seu lucro baseado numa necessidade real e não ‘em um teatro do sucesso’, ou seja, muita pompa, publicidade quando o serviço e produto não entrega isso, é uma mudança de ótica que ainda estamos aprendendo a lidar” afirma.

Universidades de Administração e programas de MBA vêm, cada vez mais, incluindo em suas grades estudos e casos que adotam essa abordagem. No Brasil, apesar do método ainda ser novo, começa a ser adotado com mais frequência por novos empreendedores e até por empresas que desejam deixar mais “enxuto” algum setor específico.  

 

Origens da Lean Startup  

O conceito de Lean Startup foi difundido por Eric Ries no livro “The Lean Startup” a partir de uma experiência própria que teve durante anos como empreendedor, consultor e criador de startups. Eric inclusive trabalhou por algum tempo em um projeto de desenvolvimento de software com 40 milhões de dólares de financiamento e mais de 200 funcionários.

Apesar dos números expressivos, após lançado, o projeto não popularizou, o que gerou enormes prejuízos financeiros e de tempo. A partir disso, ele buscou a base da filosofia japonesa do Lean Manufacturing para repensar e propor um novo modelo de criação chamado de Lean Startup, que busca a identificação e eliminação de desperdícios, e tem sido largamente utilizado para pensar e acelerar empresas em todo o mundo.

 

Princípios

O método lean startup, de acordo com Eric Ries, possui algum princípios fundamentais que formam a base do conceito:

  1. Mínimo Produto Viável – É a versão mínima de um novo produto. Através dela é possível capturar mais informações e aprender sobre as necessidades e expectativas do cliente final. O intuito é evitar esforços na criação de recursos desnecessários ou que não sejam do interesse para o consumidor.
  2. Deploy Contínuo – O trabalho da equipe é atualizado frequentemente para o cliente final. A ideia é a finalização da construção de um novo recurso e a sua disponibilização seja em tempo reduzido para receber uma avaliação também mais rápida.
  3. Teste A/B – Quando possível, a ideia consiste em disponibilizar mais de uma versão do produto no mercado. O intuito é ter um feedback de como os clientes reagem sobre os modelos diferentes do produto. A partir da reação dos usuários diante destas diferentes possibilidades, a organização pode aprender o que o usuário prefere.
  4. Métricas Acionáveis – São métricas que quando acionadas oferecem informação necessária para que a organização possa tomar decisões sobre o negócio.
  5. Pivot – É uma mudança mais completa no curso de um produto. O pivot pode ser visto como uma nova hipótese estratégica que requer um novo MPV para ser testado.

 

Diferenças:

 Veja abaixo algumas diferenças entre Lean Startup e o modelo tradicional de negócios:

  Lean Startup Tradicional
Estratégia

Baseada em hipóteses, utiliza modelo de negócios.

Baseada em implementação,  utiliza plano de negócios.

Velocidade

Busca ser rápida e opera com dados suficientes para a ação.

Pausada e opera apenas com dados completos para a ação.

Criação de produto

Teste hipótese no mercado e absorve feedbacks de consumidores no processo.

Prepara o produto para o mercado, com um plano linear.

Insucesso

Utiliza o método de “pivotar”,  ou seja, inverte o curso oferecendo novas possibilidades de produtos.

Muitas vezes a solução é demitir o executivo ou abandonar por completo o projeto.

 

 

O que é MVP?

Não testar e validar seus palpites antes de investir no lançamento de novos produtos é um dos grandes erros cometidos por empreendedores. Em busca de evitar isso para não perder tempo e dinheiro, entender e aplicar o conceito de MVP é fundamental.

Um MVP (Minimum Viable Product”, ou “Produto Mínimo Viável”) é como uma versão experimental de um produto, desenvolvida de forma ágil e econômica para ser apresentada ao seu público-alvo e receber feedbacks. O MVP é o um instrumento de teste. Ele pode ajudar a antecipar problemas e até redefinir a estratégia do seu negócio ou produto. A seguir, alguns pontos para te ajudar a fazer o seu MVP:

  1. Formule hipóteses para validar: O grande objetivo de desenvolver um MVP é justamente validar premissas sobre o mercado antes de investir em um produto e lançá-lo. O primeiro passo é você formular uma hipótese para validá-la. Então, antes de pensar no MVP em si faça isso para entender se as suas premissas sobre o seu mercado estão corretas.
  2. Entenda o seu mercado: pesquise a fundo os indicadores macro e micro do seu público, tenha um perfil ideal de cliente bem definido, identifique o contexto em que sua empresa está inserida, saiba quem são os seus possíveis concorrentes e o que eles estão oferecendo.
  3. Defina indicadores e estabeleça métricas: a partir dos dados coletados, defina quais indicadores e métricas você vai utilizar para avaliar o desempenho do seu MVP a partir da interação com o seu  público-alvo.
  4. Pense nas funcionalidades do seu MVP: o MVP precisa encontrar um equilíbrio entre o tempo, os recursos investidos para o seu desenvolvimento e a forma como a proposta de valor do produto será apresentada para o cliente.
  5. Não desista: Encontrar um MVP não é fácil nem simples, após tentativas e erros, você vai conseguir e, uma vez que consiga validar suas hipóteses, o investimento valerá a pena. Sem contar a grande economia que você terá feito ao não se precipitar com o produto errado.

 

O Ciclo de feedback Lean Startup  (Build-Measure-Learn) 

Conhecido também como construa – mensure – aprenda, destaca a velocidade de um ingrediente crítico para o desenvolvimento de produtos. A eficácia da equipe ou da empresa é determinada pela sua capacidade de idealizar, construir rapidamente um produto minimamente viável, medir sua eficácia no mercado e aprender com essa experiência.

Outra forma de entender, é pensar em um ciclo criado para transformar ideias em produtos, medir as reações e os comportamentos dos clientes contra e, então, decidir se deseja insistir ou descarta a ideia. 

Esse ciclo é conhecido como ciclo de feedback e, para gerar inovação, o ideal é criar meios para acelerá-lo. Essa rápida iteração permite que as equipes identifiquem um caminho viável para o ajuste do produto/mercado e continuem otimizando e aperfeiçoando o modelo de negócios depois de alcançar o sucesso.

 

Quais são as vantagens desse modelo?

  1. Maior produtividade – Ao focar no que realmente importa para o desenvolvimento da empresa, tudo acontecerá de forma mais rápida e direta. Como consequência,  a produtividade aumenta, além de poupar tempo e dinheiro.
  2. Redução do custo de operação – Fica claro que quando se elimina desperdícios, reduz custos. Conforme você elimina etapas que nada contribuem para o desenvolvimento sustentável da organização, menores serão as despesas e maior será o potencial de lucro.
  3. Maior aproximação aos clientes – A aplicação correta do ciclo de feedback fará com que você conheça melhor as motivações e demandas dos seus clientes, isso criará uma intimidade maior entre eles e a sua marca. É o primeiro passo para conseguir consumidores fieis, justamente os que vão te indicar para os amigos e pessoas próximas.

 

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