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Qual é a essência da cultura corporativa de uma das maiores grifes de moda?

2/06/2016 • por meuSucesso .com

No segundo episódio do Estudo de Caso de Rony, ele conta quais foram os primeiros passos ao fundar a Reserva

No segundo episódio do Estudo de Caso de Rony aprendemos sobre as fortalezas e as características principais do empreendedor que refletem o negócio que ele construiu e que, hoje, evidencia-se pela grife do grupo Reserva que se destacou entre as marcas brasileiras de moda produzindo mais de 1,5 milhão de peças ao ano para as mais de 40 lojas da rede.

Firmando-se como um negócio: os primeiros passos

Ao decidir-se definitivamente pela evolução do negócio, Rony teve de lidar com as lacunas que possuía como empreendedor. Evidencia-se, mais uma vez, a crença do empreendedor na execução e na importância do fazer. Como exemplo, ele cita a estratégia que seguiram quando decidiram produzir as bermudas para sua primeira coleção.

Como não tinham experiência prévia, não tinham relacionamento com fornecedores e, tampouco, conhecimento para avaliar as qualidades técnicas das empresas selecionadas para a produção das peças de roupa. A estratégia que ele e seu amigo adotaram foi pesquisar nas etiquetas das bermudas com qualidade similar a que desejavam produzir em busca do CNPJ do fabricante para, a partir daí, contatar possíveis fornecedores. Foi assim que foram selecionadas as primeiras empresas parcerias responsáveis pelo fornecimento dos produtos iniciais da marca.

Para conseguir evoluir seu negócio sem a necessidade de um grande montante de capital (Rony havia aprendido, por meio de sua malsucedida experiência anterior, que é muito arriscado envolver-se em negócios que demandam capital intensivo), o empreendedor definiu uma estratégia de atuação por meio de lojas Multimarcas. Dessa forma, conseguiria vender em grandes lotes, sem a necessidade de imobilizar estoque e com um fluxo de caixa mais controlado do que se atuasse diretamente no Varejo.

Quando definiu essa estratégia, Rony já tinha claro, no entanto, sua visão de ir para o Varejo com lojas próprias. A estratégia de atuação no Atacado foi a ponte para conseguir a força e consistências necessárias para chegar a seu objetivo final.

Para consolidar essa estratégia, Rony mapeou as principais lojas Multimarcas de São Paulo aproveitando o tamanho de mercado e interesse delas por marcas cariocas e iniciou uma estratégia de abordagem. De 15 empresas selecionadas, Rony conseguiu sucesso em 10. Esse êxito garantiu o fôlego necessário para o início do negócio.

Rony comenta que tinha a convicção de que não tinha o melhor produto possível, já que estavam começando o negócio. Porém, entende que sua ligação com o negócio e a venda do sonho foram fundamentais no processo de convencimento dos seus clientes.

Começando as operações no varejo

Depois de pouco mais de um ano, a Reserva estava pronta para abrir sua 1ª loja que foi inaugurada no Rio. Esse espaço traduzia a visão e conceito construídos para a marca desde sua fundação. A ideia é que as lojas sejam um espaço para receber amigos, o conceito de mesa de bar, onde a compra dos produtos é consequência do relacionamento construído entre o cliente com a marca, traduzida pela ação de seus vendedores, os principais agentes a promover essa experiência.

Rony comenta que o briefing que deu para o Arquiteto contratado para o projeto inicial era de que não queria uma loja, mas sim uma casa onde todos se sentissem à vontade.

O início e ingresso no varejo não significou a ruptura com o atacado. Até hoje a marca desenvolve esses 2 canais. Os novos lançamentos são sempre lançados no Atacado (por meio das lojas Multimarcas) e tem o objetivo de fortalecer a imagem do produto. Na sequência, são os produtos direcionados às lojas próprias onde se integram a toda linha de produtos da marca.

Fortalecimento da cultura corporativa

A evolução bem-sucedida do negócio traz consigo o fortalecimento de uma cultura corporativa muito forte. Essa cultura se caracteriza pela crença da marca em construir diálogos abertos com todos seus stakeholders: colaboradores, clientes, sociedade.

Como o modelo é bastante flexível e aberto, Rony reputa a cultura a responsabilidade por alinhar a todos na organização com as melhores decisões. Uma das citações de Rony tangibiliza essa visão: “A cultura come a estratégia todo dia no café da manhã”.

Um dos pilares dessa estratégia diz respeito a participação ativa dos colaboradores da organização (que atualmente são mais de 1.300 em toda rede). Rony incentiva a visão do empreendedorismo corporativo como forma de valorização e motivação da participação dos colaboradores nas decisões da organização. O principal desejo do empreendedor é transformar seus colaboradores em protagonistas e sempre cita uma visão: “Nós somos todos empreendedores”.

O modo de gestão e liderança de Rony envolve a integração de um pensamento científico metodológico com uma orientação humana e empírica. O empreendedor acredita que, dessa forma, garante a adoção de uma estratégia estruturada, escalável com um pensamento mais flexível que humaniza seu negócio e o torna atraente para colaboradores e clientes.

No Tratado da marca uma das frases diz: “nós somos diferentes porque somos de verdade”. As imperfeições do negócio são valorizadas na cultura do negócio sem que isso represente uma ameaça ao negócio já que são encaradas como forma de incrementar o aprendizado da companhia.

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