Empreendedorismo

O valor do aperto de mão - por Pedro Waengertner

29/04/2015 • por Pedro Waengertner

Reflita sobre o quanto o valor da palavra e comprometimento são considerados no momento de fechar um acordo

Qual o valor de um aperto de mão? Para mim tem o valor de um contrato registrado em cartório. Infelizmente esta não é a regra dos acordos no Brasil. Não estou dizendo que acordos não podem ser renegociados. Estou me referindo à sua palavra.

Muita gente não dá valor a sua própria palavra e a sua reputação como pessoa de negócios. O Visconde de Mauá, provavelmente o empreendedor mais relevante da história do Brasil levava isso muito a sério. Em seus vários negócios e eternas brigas com o Império, Mauá perdeu e ganhou muito dinheiro. Em todas as situações em que perdeu, procurou garantir que seus investidores fossem os menos prejudicados possível. Isso fez com que ele construísse uma imagem de bom empreendedor e, principalmente, bom com o dinheiro dos outros. Garantiu que ele criasse vários negócios, apenas com o valor da sua palavra.

No vale do Silício, já vem sendo cogitado o "protocolo do aperto de mão", onde basta uma repassada nos termos do acordo entre o investidor e o investido, seguido de um aperto de mão, para que o acordo seja considerado fechado. Ou seja, o investidor pode depositar o dinheiro na conta da empresa sem qualquer documento assinado. Isso é confiança. 

"Mas isso é lá fora. Aqui nunca funcionaria." Será? Hoje, o Brasil infelizmente paga o custo da presunção da desonestidade. Tudo funciona presumindo o roubo, o problema. É a catraca do metrô, o cobrador do ônibus, a rubrica em todas as páginas do contrato (tenta explicar a um americano o que é isso!). Imagina os bilhões de reais gastos com estes controles. 

Mudar o mundo não é fácil. Mas acredito que se resolvermos os nossos problemas primeiro, temos muito mais chances de contribuircom o que é mais relevante. Vamos começar conosco, com a nossa palavra, com o valor do nosso aperto de mão.

Contratos são necessários e fundamentais, mas devem ficar na gaveta. Bons acordos são feitos entre pessoas e os contratos preveem os piores cenários. Vamos gastar a energia necessária para ter bons contratos, mas muito mais energia para criar boas relações. Relações onde as duas partes ganhem. Bons empresários são generosos e entendem que seus parceiros de negócio também devem ter retorno e ganhar dinheiro. São estas as cabeças das melhores pessoas para trabalhar.

Entenda que a sua marca pessoal é uma combinação da sua palavra com as suas ações. Quanto mais você consegue executar, mantendo sua integridade, fiel aquilo que acredita, mais você valoriza sua marca pessoal. E no final do dia, é só com o que você pode contar.

Comece a mudança por você mesmo. Pense como o Barão de Mauá, pense grande. Pense enorme, mas nunca esqueça que depois que você for, o que fica é a sua palavra.

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Quem escreve

Pedro Waengertner

Fundador em Aceleratech, sao paulo

Fundador da Aceleratech, com forte experiência em vendas e marketing, já atuou em diversos projetos de grande porte no Brasil e Exterior. Professor e palestrante com mais de 10 anos de experiência nos temas Marketing e Comunicação Digital, e-Business, e-Commerce e empreendedorismo 2.0.

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