Pessoas

Empreendedores deveriam ter esta mentalidade: menos, porém melhor

15/07/2015 • por Paulo Campos

Aprenda a investir nas atividades certas

Prioridade é uma palavra que não tem plural, foi com essa frase dita pelo meu amigo, professor, e colega de aprendizado Romeo Busarello, que tive acesso ao livro Essencialismo do Greg McKeown (Editora Sextante). Por uma feliz coincidência, um dos meus coachees está com o desafio de saber usar melhor o seu tempo e focar naquilo que faz mais sentido e gera melhor resultados. Com base nesses dois empurrões comprei o livro e li durante o feriado.

O caminho para o essencialista segue um propósito, não um fluxo. Uma abordagem disciplinada e sistemática para determinar onde está o ponto máximo de contribuição de modo a tornar a sua execução algo que quase não demanda esforço. É preciso ter o controle sobre as próprias escolhas e gerar um novo nível de sucesso e significado.

A busca indisciplinada por mais é uma das razões do fracasso. Somos punidos pelo bom comportamento (dizer não) e recompensados pelo mau comportamento (dizer sim). Somos lançados ao paradoxo do sucesso: tudo começa quando temos clareza do propósito e conseguimos ter sucesso nas iniciativas; com isso geramos uma fama de bons entregadores de tarefa; aí começamos a ser chamados para diferentes demandas que aumentam as opções e oportunidades. Quanto mais dizemos “sim” nosso tempo passa a ser controlado e determinados pelos outros, e acabamos nos afastando do que deveria ser nosso nível máximo de contribuição. Metade dos problemas da vida decorre de dizer sim depressa demais e não dizer não cedo o bastante.

Há 3 pressupostos profundamente entranhados que devemos vencer para viver como um essencialista: tenho que fazer, é importantíssimo e consigo fazer os dois. Adotar o principal fundamento do essencialismo exige substituir esses 3 falsos pressupostos por 3 premissas básicas: escolho fazer, só poucas coisas realmente importam e posso fazer de tudo, mas não tudo. Essas verdades nos despertam da paralisia não essencial. Elas nos libertam para buscar o que realmente faz sentido e nos permitem viver no nível máximo de contribuição.

São 3 os passos simples para atuar como um essencialista:

1º passo: explorar, ou seja, discernir as muitas trivialidades do pouco que é vital. Aqui cabem 3 boas perguntas: o que me inspira profundamente? Qual é o meu talento especial? O que atende a uma necessidade importante do mundo? Saber fazer a cosa certa, do jeito certo e na hora certa.

2º passo: eliminar, ou seja, muitos dizem sim porque estão ansiosos para agradar e contribuir. Já dizia Peter Drucker, o pai da administração moderna: As pessoas são competentes porque dizem “não”, por que dizem “isso não é para mim”. A questão não é como fazer tudo, é quem escolhera o que faremos ou não. “Não” é uma frase completa! E é preciso ter coragem de dizer.

3º passo: executar, ou seja, remover obstáculos para que a realização quase não exija esforço. Em vez de forçar a execução, o essencialista investe tempo que pouparam para criar um sistema que remova obstáculos e torne a execução o mais fácil possível. Aprenda a prevenir (tenha uma margem de segurança), a subtrair (descubra quais são os gargalos da execução), avançar (o poder das pequenas vitorias) e por último a fluir (a genialidade da rotina).

Aqui vai uma dicaduka: A vida só está disponível no momento presente. Quem abandona o presente não pode viver profundamente os momentos da vida cotidiana. Vale a frase de Sócrates: Tome cuidado com a aridez de uma vida ocupada.

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Quem escreve

Paulo Campos

Professor em Insper

Tem 20 anos de experiência em soluções de aprendizagem (Ensinar, Aprender e Liderar). Desde 2000 já realizou mais de 1.800 palestras para 80 mil pessoas nos temas relacionados ao comportamento humano nas áreas de liderança, aprendizado de adultos e gestão de pessoas. É Mestre em Psicologia da Educação/PUC, Pós-graduado em Marketing e Comunicação/ESPM.