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Quando eu me torno o inimigo

18/01/2017 • por Luciana Kimi

Não se limite aos mesmos conhecimentos, ao mesmo grupo, as mesmas ideias. Procure sempre a diversidade de informações.

Recentemente escrevi um texto sobre o medo que sentimos em relação ao outro. Basicamente o texto fala de como nos conectamos a outro ser-humano e como desenvolvemos relações mais significativas através do confronto (que é diferente de conflito). Canal desenvolvido pela confiança, primeiro por nós mesmos e depois pelo outro. Se quiser ler, acesse o link: Antes de cocriar, conecte-se.

O interessante é que resgatando o curso da Teoria U, há uma passagem onde Otto Scharmer discorre sobre o comportamento Domo x Estrutura permeável.

Domo é uma forma geométrica fechada. Estrutura permeável não requer explicações, é permeável.

Comportar-se como Domo significa que nada, mas nada que é diferente das crenças e conhecimentos que eu considero corretos, eu incorporo na minha vida. Simplesmente não os deixo entrar, meus sentidos e mente funcionam como filtro: isto é parecido comigo, entra; isto é diferente, eu descarto. Então acabo convivendo com pessoas parecidas comigo e construo uma visão de combate ao que é diferente, não só pela fala, mas também pelo escárnio, pela desqualificação ou pelo descrédito… Me comporto assim porque tudo aquilo que intimida o que está dentro do Domo, se torna uma ameaça.

Comportar-se como uma Estrutura permeável significa que ainda mantenho alguns filtros ativados, mas estou aberto a novas possibilidades, à escuta ativa. E talvez neste caminho, possa experimentar a verdadeira empatia pelo outro ser-humano. Este processo não é tão simples assim, ser ou se tornar permeável ao outro requer estrutura interna. É um estado físico e mental onde eu me proponho a não julgar aquilo que é diferente de mim ou das minhas expectativas. 

E não se livram disso, professores de ioga, mães, médicos ou eruditos. Aliás quanto mais me agrupo com pessoas parecidas comigo, quanto mais procuro um grupo, mais formo um Domo.

Torno-me Domo quando sou movido pelo medo dos "estragos” do outro. Podemos traduzir “estragos” como a interferência de uma pessoa que mal conheço em um projeto dito “coletivo” ou um comportamento que considero “vulgar”, “confuso”, “incorreto”. 

Difícil não? Se pudéssemos parar o tempo no instante que recuamos diante de outro ser-humano, poderíamos nos perguntar: “O que exatamente senti? Qual foi o pré-julgamento realizado, já que de fato não conheço aquele indivíduo?”. Se a resposta fosse instantânea, poderia ser “medo”? Medo do que o outro pode fazer comigo? Medo do outro “estragar” o projeto? Medo do outro mudar aquilo que para mim é confortável?

A base da guerra é a dualidade. Eu estou certo e você está errado. É Domo porque não deixo o diferente se aproximar de mim e combato para me proteger ou proteger um grupo de iguais. Isso dá um filme, não?

Você já se viu assim em algum momento? Então neste caso, meu caro, você pode ser o inimigo.

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Quem escreve

Luciana Kimi

founder em THEMPERO - cocriação, arte e inovação

É especialista em Gestão Colaborativa, Design de processos e negócios. Entende que a vida é uma prática de constante transformação, por isso mantém o ayurveda como filosofia e a paixão pela dança e pela arte como fontes de inspiração. É mãe de uma menina linda, atualmente seu maior tesouro

POR Luciana Kimi

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