Sofia Esteves compartilha a sua experiência com gestão de pessoas e fala de como é a relação da mulher com o mercado de trabalho


Como em março comemora-se o dia da mulher, a presença feminina do mercado de trabalho é tema de reportagens e artigos em todos os meios de comunicação.. Eu aqui, não poderia fazer diferente. Não apenas porque sou mulher e empreendedora. Mas também porque represento um grupo especializado em gestão de pessoas.

Estudos já mostraram que ter mulheres na gestão traz vantagens competitivas para as empresas. Seu negócio pode nem ter começado ainda ou estar em fase inicial, mas é bom estar atento a essa questão, que vai muito além de dar oportunidade de trabalho para as mulheres. Trata-se de dar igualdade de oportunidade e de desenvolvimento para ambos os gêneros.

A possibilidade de desenvolvimento das mulheres nas organizações passa também pela divisão equilibrada das responsabilidades que têm com a família e a administração da casa. Se seus companheiros puderem ter um período maior de licença quando os filhos nascem, possibilidade de fazer home office e flexibilidade de horário, certamente o número de mulheres que decide deixar o emprego para exercer plenamente seu papel de mãe será menor.

São muitas as mulheres que empreendem depois da maternidade como meio de se manterem atuantes profissionalmente porque assim passam a ser donas do seu tempo. E mesmo elas precisam estar atentas a alguns pontos para que não acabem, sem querer, alimentando um modus operandi do qual quiseram se libertar.

Acredito que, tanto homens como mulheres, precisam se manter firmes no propósito de exercer plenamente seus papeis diante das demandas de clientes. Certa vez eu precisei desmarcar uma reunião com o presidente de uma grande empresa que era um potencial cliente para poder participar de uma outra reunião na escola dos meus filhos. E fui bem honesta com ele em relação aos motivos pelos quais estava solicitando o reagendamento do encontro. Deixei claro que essa era uma prioridade para mim e não poderia ter um cliente que não compreendesse isso.

Ao contrário do que deve estar imaginando, não perdi o fechamento do negócio. Ele admirou minha postura e disse que as mulheres normalmente não têm coragem de defender suas posições dessa maneira. E eu acrescento aqui: também será novidade se um homem se comportar desse jeito. Mas a tendência é de que, daqui para frente, isso passe a acontecer com mais frequência.

Os Ys e os jovens que ingressam no mercado de trabalho hoje querem, eles também, exercer seu papel de pai de maneira mais integral e buscam mais flexibilidade para poderem fazer isso. Então, se os gestores não estiverem atentos a esse cenário, têm grande chance de perderem os melhores talentos. 

O futuro do mundo do trabalho é de pessoas vivendo integralmente, com seus propósitos e valores alinhados à sua atividade profissional, sem se dividir entre vida pessoal e profissional. Essa divisão, aliás, é praticamente impossível e por isso mesmo causa sofrimento. Somos uma mesma pessoa no escritório e em casa, apenas exercendo funções diferentes. E todos devem ter oportunidades de se desenvolver, fazendo as suas escolhas de caminhos por convicção e não por falta de opção. Dessa forma, todos ganham: as pessoas tornam-se mais felizes e as empresas mais produtivas e inovadoras.    

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Sofia Esteves

Fundadora e presidente do Conselho do Grupo DMRH, compartilha neste espaço o que há de mais novo em carreira e gestão de pessoas. Ideias, reflexões e tendências para impulsionar o desenvolvimento pessoal dos empreendedores e de sua equipe.