Esta talvez seja a pergunta que eu mais ouço em eventos que participo: “como encontro um sócio para a minha empresa?”


A resposta não é simples. A primeira pergunta é qual o seu objetivo com este novo sócio. Colocar alguém só por colocar não faz sentido. Você precisa ter uma necessidade clara. Geralmente esta necessidade nasce de uma competência que a sua empresa precisa, mas você não possui. Pode ser desde vendas até tecnologia. E para chegar a esta conclusão é preciso uma avaliação fria da empresa e, principalmente, das suas próprias forças e fraquezas. 

É comum empreendedores buscarem sócios parecidos com eles. Buscar um xerox seu é ruim em vários níveis. Primeiro porque uma boa empresa precisa de diversidade. Pessoas com cabeças diferentes trazem não só mais idéias, mas também exigem que a comunicação e a tomada de decisão sejam cada vez mais profissionais. E entender essa dinâmica requer maturidade e visão de longo prazo.

O sócio mais requisitado no mundo das startups é o técnico. O custo de desenvolver o seu produto por terceiros, além da falta de autonomia para mudar e adaptar às necessidades sempre mutantes dos clientes torna inviável deixar a tecnologia fora da empresa. Mas onde encontrar este raro espécime? Não é fácil. Nada fácil. Mas é possível, se você realmente se dedicar a procurar esta pessoa. Não será postando vagas de empregos ou buscando no linkedin (embora este último possa gerar algum retorno) que você vai encontrar o técnico. É preciso usar o networking. Buscar amigos de amigos, ir nas redes sociais, nos grupos que falam de empreendedorismo. Enfim, não é fácil.

E quando se encontra o cara, ele não quer vir trabalhar comigo. Já falei com vários empreendedores irritados por causa disso. Na verdade, o convencimento desta pessoa é a primeira venda que você vai fazer na sua empresa. Você vai pegar aquele seu sonho maluco e vai convencer um cara a abandonar os projetos que está tocando naquele momento e tocar junto com você esta empresa. Não é fácil. Mas você não quer apenas um bom programador, você quer aquele cara que vai andar do seu lado e realmente te ajudar, dividir o peso.

Sempre me lembro do Ernest Shackleton, o grande explorador que ficou dois anos preso na Antárdida e chegou com vida, sem perder nenhum dos seus homens. Aliás, vale a pena procurar mais sobre este tema. Shackleton fez um anuncio, em 1914, para recrutar malucos que comprassem o seu projeto. No anuncio ele dizia: 

"Homens procurados para jornada perigosa…
Pouca comida, frio intenso, longos meses em completa escuridão, perigo constante, retorno não confirmado, honra e reconhecimento em caso de sucesso…"

Não é a cara de uma startup?

Choveram interessados. Todos com interesses em comum, mas com perfis completamente diferentes. E eu acredito que foram estas diferenças as responsáveis pela sobrevivência do grupo.

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Pedro Waengertner

Fundador da Aceleratech, com forte experiência em vendas e marketing, já atuou em diversos projetos de grande porte no Brasil e Exterior. Professor e palestrante com mais de 10 anos de experiência nos temas Marketing e Comunicação Digital, e-Business, e-Commerce e empreendedorismo 2.0.