Pessoas

O nosso corpo é a melhor máquina

5/08/2014 • por Fernando Aquino (Nandico)

Agora ganhamos condições de reverter situações de sedentarismo baseado na tecnologia

Aprendi a profissão de tecnologia na cultura dos anos 90. Era muita coisa nova chegando. Primeiro a revolução multimídia com o CD-ROM. Na segunda metade da década houve a explosão da conectividade em redes e internet. No meio dessa cultura criei identidade com as pessoas que passavam muitas horas por dia se bronzeando com radiação ionizante dos antigos monitores de tubo.

Esse estilo de vida estava associado a um novo horizonte de consumo de informação, de formação de conhecimento, de entretenimento e socialização mediada pelo computador. Passei muitas horas estudando pelo sonho de aprender a programar computadores, com os olhos brilhando em relação ao futuro. Teve muita gente que fazia o mesmo em relação a design gráfico, a 3D, vídeo e outras disciplinas que afloraram quando esses equipamentos ficaram mais acessíveis.

Minha geração dedicou muita atenção para a máquina "Personal Computer” ou simplesmente o "PC". Era assim que chamávamos os nossos computadores com seus gabinetes, periféricos e emaranhados de portas e cabos. Nossas máquinas eram pimpadas. “Crescer” era colocar mais memória e disco rígido. “Definir” era quando a gente nomeava um arquivo. “Treinar” era para ser melhor do que o outro em determinado aplicativo ou ferramenta. “Massa” era macarrão, comida rápida. “Saúde” era preocupação para gente mais velha.

Durante vários anos exercemos a liberdade e o desenvolvimento intelectual relegando sistematicamente a segundo plano uma máquina muito mais avançada e que também necessitava de cuidados: o nosso corpo. É com muita dor no coração e saudade que lembro aqui que alguns amigos e mentores dessa época infelizmente tiveram problemas de saúde e hoje não estão mais entre nós. Foram as primeiras vítimas precoces desse sedentarismo que a gente de certa forma cultuava.

Muitos colegas GVs mais novos não acompanharam essa mudança. Para quem passou por essa transição há evidências indiscutíveis que a cultura digital deu uma virada absurda durante o desenrolar da década de 2000. A mobilidade dos dispositivos nos afastou das mesas onde os computadores ficavam instalados. A computação deixou de ser objeto de culto quando passou a estar em todo lugar. Hoje tecnólogos e empreendedores de ponta estão num forte movimento de associação entre saúde, produtividade, alimentação, atividade física e meditação para propiciação de interações sociais reais, vida em família, educação de filhos, viagens, entretenimento, cultura, etc.

A nossa cultura do sedentarismo programado ficou totalmente obsoleta. Agora a gente ganha condições poderosas de reverter situações de sedentarismo baseado em quê? Em tecnologia. Isso mesmo. Programas de treinamento modernos, possibilidade de se exercitar em casa, aplicativos de acompanhamento, equipamentos de vestir (pulseiras, relógios), aplicativos nutricionais, programas de motivação para engajar as pessoas, novos equipamentos conectados e profissionais de saúde antenados pensando nesse tipo de possibilidade antes de meter a caneta na prescrição de medicamentos.

Em um mundo competitivo a alta performance profissional precisa necessariamente de corpo e mente equilibrados e preparados. Gerar valor também passa por se deslocar de bicicleta quando possível, alimentar-se corretamente, realizar atividades físicas com regularidade, conhecer e respeitar o próprio corpo, estar disposto sem usar muletas químicas com açúcar e sódio ou outras coisas piores.

As ferramentas estão aí para a gente usar. GVs e especialmente GVs que se consideram nerds: precisamos começar com perseverança a fazer os “upgrades" necessários nas rotinas da máquina mais perfeita que temos ao dispor: o nosso próprio corpo. É o templo de nossa alma. As outras máquinas são amores passageiros. Nosso corpo precisa funcionar bem por toda a vida. 

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Quem escreve

Fernando Aquino (Nandico)

CEO em Mova Mais (+), Brasília, Brazil

Co-fundador e CEO do mova mais. Criativo de tecnologia, programador e empreendedor há 17 anos. Hoje trabalha focado em pesquisa e desenvolvimento de produtos associados a tecnologias de saúde, fitness e computação para vestir.

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