Finanças

Quanto vale a minha empresa?

3/03/2017 • por Edson Rigonatti

Afinal, qual é o valor do meu negócio? Como calcular o quanto a minha empresa vale?

Ao contrário do que gostaríamos, não existe uma resposta definitiva ou uma maneira absolutamente precisa e objetiva de estimar o valor de uma empresa. No entanto, existem duas metodologias largamente aceitas que permitem estimar valor e conseqüentemente servem de base para um investimento, negociação de fusão ou aquisição, mas principalmente para a gestão do crescimento da sua empresa.

O Fluxo de Caixa Descontado busca estimar o valor presente de um ativo baseado nas expectativas de geração de caixa futura, enquanto a Avaliação Relativa estima o valor através da comparação com ativos com características similares precificados pelo mercado (ex. Empresas listadas em bolsa ou transações de fusão e aquisição).

Existem quatro variáveis básicas para o Fluxo de Caixa Descontado: i) a geração de caixa da empresa, ii) o crescimento esperado de tal geração de caixa, iii) o período no qual esse crescimento possa ser sustentado e iv) a taxa de risco.

A geração de caixa (Fluxo de Caixa Livre) deve ser calculada da seguinte maneira:

Complicado? Sim. Mas é importante que se você busque entender e calcular a sua geração de caixa. Para os autodidatas, o professor Damodaran é uma excelente fonte.

Essa geração de caixa é então projetada e descontada por uma taxa de risco apropriada. Embora existem maneiras empíricas de calcular tal taxa, pode-se dizer que uma startup tem uma taxa de risco entre 50% a 70%, uma empresa com alguma geração de receita (acima de R$1 milhão) entre 40% a 60%, uma empresa média (acima de R$5 milhões) entre 30% e 50% e uma grande empresa entre 15% a 30%.

Já a Avaliação Relativa requer que em primeiro lugar sejam identificados empresas comparáveis e então verificar como elas são precificadas pelo mercado. Por exemplo, se sua empresa é um mecanismo de busca, o Google seria uma empresa comparável. Na última sexta-feira, o Google era negociado a US$610,98 por ação, o que representava um múltiplo de receita (EV/Rev) de 5,60x e um múltiplo de EBITDA (EV/EBITDA) de 13,95x (fonte Yahoo Finance). Portanto, se sua empresa de mecanismo de busca tivesse uma receita liquida anual de R$2 milhões, bastaria multiplicar esse faturamento por 5,60x e voilà…sua empresa vale R$11,2 milhões.

Simples? Não. Esse foi um exemplo feito em papel de padaria.  Mas talvez o suficiente para dar uma idéia do conceito. Para ser um pouco mais preciso, é necessário equiparar os números sendo analisados para que estivessem na mesma base de comparação. Além do mais, a Avaliação Relativa está sujeita ao temperamento do mercado, o que torna-a bastante imprecisa em momentos de euforias ou de pessimismo generalizado.

Para startups e empresas que ainda não geram caixa o exercício torna-se ainda mais subjetivo. Mas é possível usar a Avaliação Relativa para buscar ao menos um ponto na curva.

Programas como o YCombinator e TechStars tem metodologias uniformes para investimentos. Eles investem US$20 mil para uma participação entre 6% a 10%, resultando em um valor de US$200 mil para empresas ainda em fase de conceito.

Enfim, o processo de avaliação é bastante subjetivo, mas muito relevante para empreendedores e investidores. E por isso deve ser tratado com bases nos fundamentos, esses imutáveis.

Quanto mais sólidas forem as hipóteses para o crescimento da sua geração de caixa e dos riscos envolvidos, mais fácil será a interlocução com investidores ou parceiros estratégicos. Saiba quais são seus fundamentos!

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Quem escreve

Edson é sócio da Astella Investimentos. Com mais de US$ 3bi em transações de M&A e Mercado de Capitais nos setores de Tecnologias da Informação e Comunicação, foi também gestor em empresas familiares e multinacionais. Possui experiência em prospecção e estruturação de investimentos, compra e venda de participações.

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