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Storytelling: conflito e movimento são essenciais - por Marco Franzolim

3/07/2015 • por Marco Franzolim

Uma vida sem conflitos não merece ser vivida

Existe muita discussão sobre as fronteiras do storytelling. Alguns defendem que todo o storytelling deve ser criado. Outros são mais tolerantes e entendem que se aconteceu, também pode ser storytelling. Mas precisa ser trabalhado para que seja um.

Mas é fato que um bom storytelling é construído em cima de bons conflitos. Eles são essenciais para mover o nosso protagonista para frente dentro do arco da história. Sem conflito, sem movimento. Sem história. Lembre-se das suas últimas viagens: aquela que você viajou e foi tudo bem, o avião saiu na hora, a comida foi ótima e o hotel também. Fez sol. Bom para você, chato para sua audiência. Agora, lembre-se daquela viagem em que tudo deu errado: choveu. Você perdeu o voo. Dormiu na rua. Essa sim você quer contar. E acredite: essa, sim, as pessoas querem ouvir.

Podemos refletir esse pensamento quando analisamos as histórias dos empreendedores de sucesso. Em relação ao case do mês passado, sobre o Caito Maia, a minha agência teve o prazer e a oportunidade de atender a Chilli Beans e criar suas apresentações desde o nosso nascimento. Prazer por trabalhar com uma marca e um empresário que não são superficiais. Que passaram por conflitos, desafios, e que são os vetores de mudança e conduzem esses protagonistas para frente em suas histórias. Oportunidade por poder entender esses conflitos e, ao mesmo tempo, entender o poder de uma boa história.

Conflito é a pimenta da vida e a alma do storytelling. Não é possível criar uma história sem ele. E a genialidade de poder trabalhar com a história do Caito, refletida na Chilli Beans é que esses conflitos aproximam a marca do público. Todo o público, seja ele interno ou externo. Todos nós passamos por conflitos, e as grandes marcas e transformadores também passaram (e ainda passam). Isso quer dizer que estamos próximos. Conectados, de alguma forma. E é muito bom saber disso, porque percebemos que esses conflitos que nos conectam também podem nos movimentar.

Se o empresário ou a empresa que eu admiro vencem seus conflitos, por que não me aventurar em vencer os meus? Somos todos humanos e estamos conectados.

E em um segundo movimento, esse arco de história repleto de conflitos constrói uma marca única. Com força e personalidade. Sabemos que o princípio de marca é marcar. Ser diferente, lembrado, memorável. Em um mercado onde muitos buscam ser heroicos, alinhados e mediano, ninguém se destaca. E a Chilli Beans soube se inserir nesse mercado de maneira única, respeitando seus desafios e expondo seus conflitos através de paixão. Faz sentido para o público e para o mercado. É humano e cria relacionamento do mais verdadeiro.

No final, não tem como não se conectar a uma marca assim.

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Quem escreve

Marco Franzolim

Sócio diretor de comunicação em MonkeyBusiness

É sócio-diretor de comunicação da MonkeyBusiness, agência de apresentações, e professor, ministrando aulas na ESPM e cursos in company para empresas como Banco do Brasil, SEBRAE, GM, Red Bull, Via Varejo, Boehringer, Telefônica, Almap BBDO e JWT. Sua experiência no mercado inclui mais de 2500 apresentações para mais de 400 empresas, entre elas as maiores empresas do Brasil como AmBev, Visa, Natura, Danone, Nestlé, Coca-Cola, Bradesco, Globo, Nike, Santander entre diversas outras.