Por trás do termo “empreendedorismo” há muita história que você precisa conhecer para entender mais sobre o comportamento empreendedor


O termo empreendedorismo não é exatamente novo. Ele foi criado em 1945 pelo economista Joseph Schumpeter. Segundo ele, o empreendedorismo é algo desenvolvido por pessoas pessoas versáteis, com habilidades técnicas para produzir e organizar recursos financeiros e operações internas, além de lidar muito bem com vendas.

Já o estudioso Robert D. Hisrich, porém, define empreendedorismo como um “processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal”.

Por fim, o autor Ronald Jean Degen definiu que empreendedor é um termo derivado do inglês entrepreneur, que, por sua vez, vem do termo do francês antigo “entreprendre“, um vocábulo formado pelas palavras entre – do latim inter, que significa reciprocidade – e preneur – do latim prehendre, que significa comprador. Dessa forma, “a combinação das duas palavras, entre e comprador, significa simplesmente intermediário”, afirma Degen.

Apesar de pontuais diferenças entre os conceitos, é perceptível que a definição básica de empreendedorismo inclui ações como criatividade, iniciativa, paixão, riscos e oportunidades.

Quais as principais características do empreendedor?

O empreendedor não é formado por apenas uma, duas ou três características. Afinal de contas, ele precisa ser versátil e dispor de muito conhecimento para criar, manter e fazer crescer algum projeto.

Por isso, algumas características são essenciais na carreira do empreendedor, tal como:

  • Busca de oportunidades e iniciativa: capacidade de antever-se aos fatos e criar novas oportunidades de negócios, desenvolver novos produtos e serviços, propor soluções inovadoras.
  • Apto a correr riscos calculados: ou seja, o empreendedor costuma avaliar alternativas e calcula riscos deliberadamente, age para reduzir os riscos ou controlar os resultados e coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados.
  • Exige qualidade e eficiência: para maximizar os ganhos é necessário sempre encontrar maneiras de fazer as coisas da melhor forma, mais rápido ou mais barato, agindo de maneira a fazer coisas que satisfaçam ou excedam padrões de excelência e desenvolvendo ou utilizando procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que atenda a padrões de qualidade previamente combinados.
  • Persistência: saber agir diante de um obstáculo significativo sem desistir do mesmo, por vezes fazendo um sacrifício pessoal ou despende um esforço extraordinário para completar uma tarefa.
  • Saber lidar com metas: estabelecendo metas e objetivos que são desafiantes e que têm significado pessoal, com visão de longo prazo, clara e específica, sempre estabelecendo objetivos de curto prazo mensuráveis.

O empreendedorismo no Brasil

O empreendedorismo no Brasil é a chave para que empresas possam sair da crise econômica. É isso que diversos empresários e especialistas no assunto repetem incansavelmente em suas entrevistas e opiniões.

Segundo o governo federal, surgem cerca de 600 mil empreendimentos por ano no Brasil – resultando em mais de 1,5 milhão de microempreendedores no âmbito nacional atualmente.

Por aqui, o ato de empreender deu um salvo a partir dos anos 90 com o incentivo de organizações da indústria e dos serviços.

De acordo com o estudo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizado no Brasil pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), o Brasil se encontra topo do ranking no quesito abertura de novos empreendimentos, segundo dados de 2014/2015, inclusive ficando à frente de países como Argentina, México e dos países do BRICS .

Para termos uma melhor ideia da importância do empreendedorismo no Brasil, só na última década a quantidade de pessoas economicamente ativas que criaram o seu próprio negócio saltou de 23% para 34,5%. Ou seja: 1 a cada 3 pessoas economicamente ativas são donas do seu próprio negócio no Brasil, segundo dados do GEM.

Por aqui há, basicamente, dois tipos de empreendedor: o de necessidade e o de oportunidade.

O empreendedor por necessidade

Surge da urgência de se criar uma renda. Feito sem planejamento, na maior parte das vezes resulta em falência em pouco tempo.

O empreendedor por oportunidade

Este empreendedor aproveita de um maior planejamento, estudos e estrutura, garantindo assim um maior tempo de vida e mais lucro, como startups — empresas focadas em inovação e com potencial de crescimento exponencial — por exemplo.

De acordo com o Startup Ranking, o Brasil atualmente é o 8º mais bem colocado na quantidade de empresas em todo o mundo. A Associação Brasileira de Startups (Absartups) aponta que há mais de 4.000 startups no país, guiadas por mais de 40.000 empreendedores.

Grandes exemplos de empreendedores

Flávio Augusto da Silva

O empresário Flávio Augusto da Silva é um dos nomes mais respeitados do Brasil quando o assunto é empreender. Flávio ficou em primeiro lugar no ranking de empresários mais admirados do país, lançado em 2015 pela Cia de Talentos.

Hoje bilionário, o empreendedor estudou a maior parte da vida em escola pública. Em 1995 fundou a Wise Up idiomas com R$ 20 mil de seu cheque especial.

Em 2014, a antiga Abril Educação — atualmente Somos Educação —  fechou a compra de 100% da Wise Up idiomas por R$ 877 milhões. Com isso, passou a comandar também as marcas Wise Up, Lexical, You Move, You Move Teens, Put2gether e Wise Up Teens.

Na época, a empresa era das gigantes no ramo de ensino de idiomas no Brasil, com mais de 76 mil alunos, 338 escolas franqueadas e presença em 93 municípios no Brasil e no exterior.

Dois anos após a venda, Flávio Augusto da Silva deu uma jogada de mestre e recomprou a Wise Up do Grupo Somos Educação. Mas não foi qualquer negócio não. O empresário pagou cerca de R$ 398 milhões pela empresa, menos da metade do que recebeu na venda em 2013 — R$ 877 milhões.

Flávio também é responsável pelo Geração de Valor, blog que auxilia iniciantes no mundo do empreendedorismo através de lições estratégicas e gratuitas nas redes sociais e site, além de eventos físicos, e impacta mais de 3 milhões de pessoas no Facebook.

O meuSucesso.com é outro projeto de sucesso elaborado por Flávio. O site entrou no ar em 28 de abril de 2014. A plataforma digital foi lançada para fomentar o empreendedorismo no Brasil através de conhecimento e network. Além da rede de idiomas e do meuSucesso.com, o empresário também investiu em uma área pouco explorada pelos empresários brasileiros: o futebol no exterior. Em 2013 ele anunciou a compra do Orlando City em uma decisão estratégica exemplar de negócios, ao valor de US$ 120 milhões de dólares. Em 2017 o time inaugurou o seu estádio próprio — o Orlando City Stadium  — com capacidade para 25 mil pessoas, o que fez com que o valor do clube subisse para US$ 500 milhões, segundo o próprio Flávio Augusto da Silva.

Jorge Paulo Lemann

Lenda viva do empreendedorismo brasileiro, Jorge Paulo Lemann é atualmente o homem mais rico do Brasil e o vigésimo sexto mais rico do mundo, sendo este dono ou associado aos grandes grupos empresariais que abastecem o país, como AB Inbev, Burger King, Kraft Heinz.

Descendente de um imigrante suíço, a primeira experiência com o mercado financeiro resultou em uma falência. Mas isso, felizmente, não fez o jovem empresário desistir de seus planos. Em 1971 fundou o banco Garantia e, após isso, passou a investir em vários segmentos diferentes bebidas, através da cervejaria Brahma, e varejo, com as Lojas Americanas. A empresa cresceu e, com investimento externos, passou a ser AB Inbev. Hoje, ela é responsável pela fabricação e/ou comercialização de produtos como as cervejas Stella Artois, Budweiser, Bohemia, Antarctica, Corona, Skol e Brahma.

Como o empreendedor pode transformar o ecossistema econômico?

O relatório Leveraging Entrepreneurial Ambition and Innovation: A Global Perspective on Entrepreneurship, Competitiveness and Development, organizado e distribuído pelo Fórum Econômico Mundial e pela a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e disponível no site do Sebrae, revelou algumas características importantes do empreendedor global. Algumas observações dessas características podem apontar como o ecossistema econômico regional e global está sendo transformado pelo empreendedorismo:

  1. O empreendedorismo inclui três componentes: começar e administrar um novo negócio próprio; o crescimento das expectativas dos empreendedores (suas ambições); as inovações introduzidas pelos empreendedores.
  2. O nível de competitividade de uma economia afeta esses componentes de maneiras diferentes: economias menos competitivas apresentam atividade empresarial em estágio inicial, enquanto economias mais competitivas apresentam empreendedores mais ambiciosos e inovadores.

  3. Estágios de desenvolvimento têm impacto significativo no ecossistema empreendedor de uma economia: o impacto dos empreendedores depende do estágio de maturidade da economia e o número de oportunidades pode variar, bem como suas características.

  4. Os empreendedores variam de acordo com a idade, sexo e o nível de instrução: de acordo com o estudo, mulheres apresentam os mesmos níveis de inovação, mas um menor nível de ambição que os homens. Além disso, a ambição de crescer e a inovação tendem a acompanhar as faixas etárias dos empreendedores e níveis de instrução mais altos estão ligados a um empreendedorismo ambicioso e inovador.

Através destas características é possível perceber o poder do empreendedor no mercado e como a transformação do perfil dos negócios estão modificando o consumo da sociedade.

Ainda não é assinante? Experimente grátis por 7 dias!

Já segue o meuSucesso nas Redes Sociais?

Instagram: @meusucesso